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Em solenidade, Coordenadora Geral do SINTE/RN recebe título de cidadã natalense

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28 Nov 2019

Nesta quinta-feira (28) a coordenadora geral do SINTE/RN, professora Fátima Cardoso, recebeu o título de cidadã natalense. A entrega foi feita durante a tarde em solenidade realizada no auditório do SINSENAT (Sindicato dos Servidores Municipais de Natal). Na ocasião, participaram antigos e atuais dirigentes do SINTE, pessoas ligadas a educação e mandatos políticos.

A proposta, de autoria da hoje deputada federal Natália Bonavides (PT/RN), foi subscrita pelos vereadores Divaneide Basílio (PT/RN) e Ranieire Barbosa (Avante/RN) e aprovada pela Câmara Municipal de Natal.

Visivelmente emocionada, Fátima agradeceu pelo recebimento do título e afirmou: “Esse título não é meu, é da educação, é de todos que fazem a educação, é de todos os trabalhadores”.

Militante em defesa da educação desde o final da década de 1970, ainda sob a ditadura militar, Fátima Cardoso assumiu a árdua responsabilidade de lutar em prol de melhorias para a educação e seus profissionais. Veja abaixo a biografia completa da sindicalista:

BIOGRAFIA

Fátima Cardoso, nasceu no sítio Camarão, em Serrinha dos Pintos, à época município de Martins/RN. Filha do agricultor e pequeno comerciante, Raimundo Nonato de Oliveira e da dona de casa Terezinha Maria da Conceição. Cursou o primário na escola Reunida em Serrinha dos Pintos. O gosto pela leitura foi despertado logo cedo nas leituras de contos de fadas e versos de cordel feitas a noitinha pelo seu pai e nas leituras da Bíblia feitas pela mãe. Na escola, Fátima mergulhou nos livros da única biblioteca existente no município. Monteiro Lobato foi seu autor preferido na infância.

A tradição católica da família levou a menina Fátima a participar da Pastoral da Juventude do Meio Popular, o que sedimentou seus valores e princípios mantidos até hoje.

ESTUDOS

Na juventude, Fátima colecionou superações. Uma das mais importantes foi o momento em que precisou decidir como faria a continuação dos seus estudos. As opções eram: o curso Madureza Ginasial, ouvindo aulas transmitidas pela emissora rural de Mossoró, ou enfrentar diariamente uma longa viagem em razão da distância entre a cidade e o povoado.

Ela optou pelas radio-aulas do Madureza Ginasial. Dos seus, foi a única a não desistir e concluir o ginásio “pelo rádio” como se dizia. Terminada essa fase, o fato de não existir escola de segundo grau na localidade, trouxe mais um desafio: deixar a família e se mudar para Pau dos Ferros/RN, onde se matriculou no Magistério 2º grau.
Longe de casa e da família, Fátima encontrou acolhida em duas famílias amigas: a do senhor Antônio de Chico e a de Cícero Barra.

Foram três anos de superação e reforço na aprendizagem. Mas valeu a pena: ela se formou em primeiro lugar. A aluna laureada recompensou os esforços da família, dos amigos que a apoiaram e principalmente da avó materna Maria Bernarda, maior incentivadora da sua luta para concluir o segundo grau. Dona Bernarda viria a falecer neste mesmo período.

A morte da avó calou fundo. Foi-se uma conselheira, amiga e fortaleza. Mas a tristeza da perda não foi suficiente para impedi-la de prestar vestibular e ser aprova já na primeira opção feita. No mesmo ano Fátima ingressa no mercado de trabalho, sendo aprovada em quarto lugar em um concurso público para lecionar no ensino fundamental em Mossoró.

Mais uma vez, a jovem de Serrinha dos Pintos precisou de apoio de amigos para não interromper seus estudos. E outra vez encontrou a generosidade de amigos. Dessa vez José Cesário e D. Odete. Foi lecionar em um Jardim de Infância e na Escola Estadual professor Manoel João.

Dois anos depois, conseguiu transferência para a cidade do Natal onde seus pais já residiam. Enquanto cursava pedagogia na UFRN, trabalhou na escola estadual Isabel Gondim, depois na escola Padre Francisco Ferro, no bairro de Nova descoberta, onde mora desde 1978.

No Colégio Maristela, foi Supervisora do Ensino Fundamental II. Concluiu o curso de Pedagogia novamente em 1º lugar e com atuação profissional dentro da especialidade, antes mesmo da conclusão do curso.

Fátima também atuou profissionalmente no Colégio Atheneu Norte-rio-grandense, lá presenciou momentos históricos como a reorganização do grêmio estudantil e a celebração dos 150 anos do Atheneu.

As últimas casas de trabalho na educação foram os 21 anos no Colégio Imaculada Conceição e a Escola Municipal Vereador José Sotero. Finalizou sua jornada como educadora profissional, aos 37 anos, na Escola Estadual Professor João Tibúrcio, na qual ajudou a reativar o Grêmio Estudantil.

MILITÂNCIA SINDICAL

Fátima Cardoso começou a militância no movimento estudantil, dos grêmios estudantis até o Diretório Central dos Estudantes da Universidade. Já como profissional, iniciou sua luta auxiliando na organização da primeira greve geral da educação promovida pela Confederação dos Professores do Brasil- CPB, Em 1979, durante a ditadura militar.

Ainda cursando Pedagogia assumiu a vice-presidência da Associação de Supervisores (ASSERN). Neste contexto representou o estado no Fórum Nacional Em Defesa e Promoção da Educação Pública. Este evento gerou diretrizes que só hoje estão sendo conquistadas, como a luta pelo Piso Nacional e os 10% do PIB para a educação. No período pré-constituinte de 1988 foi uma das representantes do movimento sindical em audiências públicas promovidas pelas câmara federal e as entidades que constituíam o Fórum Nacional Constituinte.

Foi uma das principais defensoras da unificação dos Trabalhadores em Educação e da consequente formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação-CNTE, fazendo parte da sua primeira diretoria. Com a CNTE formada, Fátima se dedicou à unificação dos trabalhadores em educação no RN e vencida esta etapa, assumiu também a diretoria do novo sindicato, o Sinte-RN. Paralelo a isso, ela também atuou como dirigente da Central Única dos Trabalhadores do RN- CUT. Hoje, é Coordenadora Geral do SINTE/RN, onde segue lutando em defesa da educação.
 

 

 

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Em solenidade, Coordenadora Geral do SINTE/RN recebe título de cidadã natalense

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28 Nov 2019

Nesta quinta-feira (28) a coordenadora geral do SINTE/RN, professora Fátima Cardoso, recebeu o título de cidadã natalense. A entrega foi feita durante a tarde em solenidade realizada no auditório do SINSENAT (Sindicato dos Servidores Municipais de Natal). Na ocasião, participaram antigos e atuais dirigentes do SINTE, pessoas ligadas a educação e mandatos políticos.

A proposta, de autoria da hoje deputada federal Natália Bonavides (PT/RN), foi subscrita pelos vereadores Divaneide Basílio (PT/RN) e Ranieire Barbosa (Avante/RN) e aprovada pela Câmara Municipal de Natal.

Visivelmente emocionada, Fátima agradeceu pelo recebimento do título e afirmou: “Esse título não é meu, é da educação, é de todos que fazem a educação, é de todos os trabalhadores”.

Militante em defesa da educação desde o final da década de 1970, ainda sob a ditadura militar, Fátima Cardoso assumiu a árdua responsabilidade de lutar em prol de melhorias para a educação e seus profissionais. Veja abaixo a biografia completa da sindicalista:

BIOGRAFIA

Fátima Cardoso, nasceu no sítio Camarão, em Serrinha dos Pintos, à época município de Martins/RN. Filha do agricultor e pequeno comerciante, Raimundo Nonato de Oliveira e da dona de casa Terezinha Maria da Conceição. Cursou o primário na escola Reunida em Serrinha dos Pintos. O gosto pela leitura foi despertado logo cedo nas leituras de contos de fadas e versos de cordel feitas a noitinha pelo seu pai e nas leituras da Bíblia feitas pela mãe. Na escola, Fátima mergulhou nos livros da única biblioteca existente no município. Monteiro Lobato foi seu autor preferido na infância.

A tradição católica da família levou a menina Fátima a participar da Pastoral da Juventude do Meio Popular, o que sedimentou seus valores e princípios mantidos até hoje.

ESTUDOS

Na juventude, Fátima colecionou superações. Uma das mais importantes foi o momento em que precisou decidir como faria a continuação dos seus estudos. As opções eram: o curso Madureza Ginasial, ouvindo aulas transmitidas pela emissora rural de Mossoró, ou enfrentar diariamente uma longa viagem em razão da distância entre a cidade e o povoado.

Ela optou pelas radio-aulas do Madureza Ginasial. Dos seus, foi a única a não desistir e concluir o ginásio “pelo rádio” como se dizia. Terminada essa fase, o fato de não existir escola de segundo grau na localidade, trouxe mais um desafio: deixar a família e se mudar para Pau dos Ferros/RN, onde se matriculou no Magistério 2º grau.
Longe de casa e da família, Fátima encontrou acolhida em duas famílias amigas: a do senhor Antônio de Chico e a de Cícero Barra.

Foram três anos de superação e reforço na aprendizagem. Mas valeu a pena: ela se formou em primeiro lugar. A aluna laureada recompensou os esforços da família, dos amigos que a apoiaram e principalmente da avó materna Maria Bernarda, maior incentivadora da sua luta para concluir o segundo grau. Dona Bernarda viria a falecer neste mesmo período.

A morte da avó calou fundo. Foi-se uma conselheira, amiga e fortaleza. Mas a tristeza da perda não foi suficiente para impedi-la de prestar vestibular e ser aprova já na primeira opção feita. No mesmo ano Fátima ingressa no mercado de trabalho, sendo aprovada em quarto lugar em um concurso público para lecionar no ensino fundamental em Mossoró.

Mais uma vez, a jovem de Serrinha dos Pintos precisou de apoio de amigos para não interromper seus estudos. E outra vez encontrou a generosidade de amigos. Dessa vez José Cesário e D. Odete. Foi lecionar em um Jardim de Infância e na Escola Estadual professor Manoel João.

Dois anos depois, conseguiu transferência para a cidade do Natal onde seus pais já residiam. Enquanto cursava pedagogia na UFRN, trabalhou na escola estadual Isabel Gondim, depois na escola Padre Francisco Ferro, no bairro de Nova descoberta, onde mora desde 1978.

No Colégio Maristela, foi Supervisora do Ensino Fundamental II. Concluiu o curso de Pedagogia novamente em 1º lugar e com atuação profissional dentro da especialidade, antes mesmo da conclusão do curso.

Fátima também atuou profissionalmente no Colégio Atheneu Norte-rio-grandense, lá presenciou momentos históricos como a reorganização do grêmio estudantil e a celebração dos 150 anos do Atheneu.

As últimas casas de trabalho na educação foram os 21 anos no Colégio Imaculada Conceição e a Escola Municipal Vereador José Sotero. Finalizou sua jornada como educadora profissional, aos 37 anos, na Escola Estadual Professor João Tibúrcio, na qual ajudou a reativar o Grêmio Estudantil.

MILITÂNCIA SINDICAL

Fátima Cardoso começou a militância no movimento estudantil, dos grêmios estudantis até o Diretório Central dos Estudantes da Universidade. Já como profissional, iniciou sua luta auxiliando na organização da primeira greve geral da educação promovida pela Confederação dos Professores do Brasil- CPB, Em 1979, durante a ditadura militar.

Ainda cursando Pedagogia assumiu a vice-presidência da Associação de Supervisores (ASSERN). Neste contexto representou o estado no Fórum Nacional Em Defesa e Promoção da Educação Pública. Este evento gerou diretrizes que só hoje estão sendo conquistadas, como a luta pelo Piso Nacional e os 10% do PIB para a educação. No período pré-constituinte de 1988 foi uma das representantes do movimento sindical em audiências públicas promovidas pelas câmara federal e as entidades que constituíam o Fórum Nacional Constituinte.

Foi uma das principais defensoras da unificação dos Trabalhadores em Educação e da consequente formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação-CNTE, fazendo parte da sua primeira diretoria. Com a CNTE formada, Fátima se dedicou à unificação dos trabalhadores em educação no RN e vencida esta etapa, assumiu também a diretoria do novo sindicato, o Sinte-RN. Paralelo a isso, ela também atuou como dirigente da Central Única dos Trabalhadores do RN- CUT. Hoje, é Coordenadora Geral do SINTE/RN, onde segue lutando em defesa da educação.
 

 

 

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